25.7.10




Não importa quem é Nemo Nobody.
Não importa que vida ele levou, ou que escolhas ele tomou. O que importa aqui é que a cada ato, a cada passo, sua vida é decidida para este ou aquele lado.
Quem é que nunca pensou: mas e se eu tivesse feito daquele outro jeito, como teria sido a minha vida.
O que esse filme nos diz é: não pense nisso. Ou pense, mas ao menos não se torture com esse pensamento.
“Toda escolha é a escolha certa”. Parece estranho ouvir essa mensagem nos momentos finais do filme, quando claramente você julgou as vidas de Nemo durante todo o filme e na certa achou uma melhor do que a outra.
Mas o Nemo ‘ancião’ não se importa com o seu julgamento, ele não tenta resolver a confusão na cabeça daquele jornalista. “Mas afinal, sua esposa morreu naquele acidente ou não” ele pergunta, e Nemo não lhe dá atenção, ele apenas continua a colocar em nossa frente vidas e mais vidas cheias de cor e sentimento.


Se pudermos pensar no filme de forma mais racionalista e não tão simbólica, o momento da separação dos pais é o ponto chave na vida de Nemo Nobody.
Uma criança que sempre foi questionadora se vê pela primeira vez a frente de uma grande escolha. Ele sabe que sua vida tomará rumos diferentes a partir dali. E realmente toma todos os rumos possíveis.
Ele, aquela criança de nove anos, imagina como sua vida será a partir de outras escolhas importantes.
E quando já velho, ele poderá se lembrar de todas as vidas como uma só, todas as experiências serão parte de si.
E de certa forma não é assim que todos nós nos sentimos?
Quando tomamos uma decisão, o caminho não escolhido não é apagado de nossa memória. A maioria, se não todas as pessoas, em algum ponto voltaram a pensar naquelas coisas e pessoas que por causa de escolhas não fazem parte de suas vidas. Então no fim das contas não é só o que a gente vive que conta, é também o que a gente não vive. Todas as vidas imaginárias que vivemos dentro da nossa mente têm grande influência em quem somos.



Comentários a parte:

Jared Leto, apesar do cabelinho ridículo que usa na maioria das cenas, está com uma atuação perfeita.
No início, nos identificamos com a estranha com qual ele entra em cada ação, completamente perdido assim como nós. Com o desenrolar do filme ele realmente capta as diferentes emoções e consegue criar personagens muito diferentes.
O Nemo ancião, que por sinal também é o Jared Leto super produzido, no começo dá um certo nervoso (toda aquela velhice ao extremo). Mas no final é impossível não achá-lo cativante.
As três mulheres de Nemo atuam muito bem, embora a japonesa pudesse ter sido melhor explorada, acabou ficando na sombra das outras. Na verdade é meio difícil competir com a beleza da Diane Kruege
(que por sinal tem um olhar muito parecido com o da Natalie Portman e definitivamente fica mais simpática morena. E Sarah Polley nem tem muito o que falar: aquela mulher sabe como chorar e te angustiar!

http://www.youtube.com/watch?v=3ip9dXtsmzU

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